domingo, 15 de maio de 2016

LITERATURA -/ CONTOS -/ A FLORESTA DE CARVÃO






O PÓ E CARVÃO
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Estava numa cidade, estava meio escuro. Mas não via casa nem pessoas. Havia uma pessoa comigo. A gente estava no passado. Havia uma espécie de trenzinho que trazia carvão em pó para uma siderurgia. Este trem era pequeno, os vagões deveriam ter no Maximo um metro de comprimento. A pessoa que estava comigo reclamava da chegada do progresso, que tinha trago só poluição e feito todos deixarem a cidade. Olhei para a as ruas e vi muito pó de carvão nelas. Este homem então falava que tudo estava sendo destruído pelo pó de carvão. Nisto chegamos num local, onde os trilhos deste mini trem passavam a uns 3 metros de altura. 


Continuamos andando, passando por baixo dos trilhos, e encontramos com outro homem que veio conversando com a gente. Nisto os trilhos do trenzinho entravam numa espécie de corredor cercado por duas paredes, tipo um túnel. 


O homem que encontrou que a gente entrou por este túnel, seguindo o trenzinho que tinha acabado de passar, carregando pó de carvão. Eu quis segui-lo, mas o homem que estava comigo disse que eu não devia ir. Continuamos andando. Nisto o homem que entrou atrás do trenzinho, voltou correndo, pois vinha algo pelos trilhos em direção a ele. Era um carrinho com um hélice na sua frente e que girava muito rápido. O homem que estava comigo disse que aquilo era para proteger o trenzinho. Eles tinham câmera vendo tudo. Quem tentasse seguir o trenzinho, eles mandavam aquila máquina para pegá-los. Nisto chegamos numa espécie de siderurgia. Vimos debaixo da roda de gusa, passando um índio a cavalo, muito rápido. Quando ele passava exatamente debaixo desta roda de gusa, caiu muito pó de carvão sobre ele e o cavalo. 


Sai dali, deixando o índio e o cavalo cheio de pó de carvão, e fui para uma rua que estava cheia de pó de carvão. No rio ao lado desta rua, que parecia um braço de mar muito agitado, havia um pequeno navio e algumas pessoas neste mar se afogando. Nisto estas pessoas se agarraram numa peça do barco que estava dentro do mar. Esta peça era triangular e a parte mais larga que estava dentro do mar. À ponta do triângulo, era presa no barco. Havia uns 10 cabos de aço, amarrados na parte de baixo do triangulo e se juntavam nesta ponta. 


As pessoas que se afogavam se agarraram nestes cabos de aço e começaram a gritar. Alguém do barco acionou uma alavanca o triângulo foi subindo levando todos para dentro do barco. Nisto chegou perto de mim aquele homem que vinha comigo e fomos embora dali. Ele disse que era para eu rezar em voz alta ou em silencio, do jeito que achasse melhor. Ele foi rezando de voz alta e eu de voz baixa. A gente rezava o “Pai Nosso” e a “Ave Maria”. Nisto eu pensei em ir para a primeira rua, por onde cheguei ali. Mas fui para uma canoa que tinha naquele rio que parecia mar. Este "mar" estava muito agitando, mas a canoa não se mexia. Nisto vi um barco ao longe. Ele balançava muito. Algumas pessoas gritavam desesperadas pedindo ajuda. Essas pessoas se agarraram num triângulo parecido com o do barco anterior. Elas gritavam ate que alguém veio ver o que era e acionou novamente a tal alavanca e começou a puxá-los para dentro do mar. 


Nisto eu fiquei com falta de ar, fazia força para respirar e não conseguia. Eu fiquei meio desesperado dentro da canoa e disse que tinha que sair dali. Mas a maré foi baixando rápido e a canoa ficou em terra firme. Ao sai desta canoa, vi trilhos de ferrovia. Fui indo por estes trilhos, até que vi o trenzinho que transportava pó de carvão. Os trilhos iam para dentro de uma mata. Segui o trenzinho até lá, e vi que era nesta mata que eles carregavam aquele trenzinho. Havia alguns homens, que derrubavam as árvores, as colocavam num forno gigante, onde elas viravam pó de carvão. Imaginei que daquela forma, eles destruiriam toda a floresta. Tinha que fazer alguma coisa. Resolvi que iria denunciar aquele desmatamento. Quando pensei isto, o trenzinho veio, sem que eu percebesse e ao me atingir, pois eu estava no meio dos trilhos, me jogou dentro do pequeno vagão que continha pó de carvão. 


Ao cair naquele monte de pó, afundei. Não conseguia respirar e nem sair do pequeno vagão. Neste momento, o trenzinho chegou numa pequena ribanceira, virou o vagão, jogando todo o pó ribanceira abaixo, incluindo eu, que estava lá dentro. Fui rolando ribanceira abaixo, até que cheguei no mesmo lugar onde encontrei o  homem que vinha comigo. Só que não estava mais no passado e sim, no futuro. Olhei procurando pela floresta que eles estavam transformando em pó de carvão e vi só deserto. 


Então conclui que não havia conseguido proteger a floresta. Que ela seria destruída de qualquer jeito e que tudo ali iria virar um grande deserto. Minha volta a passado, para tentar impedir tudo aquilo, foi em vão.
O Trenzinho tinha me derrotado.


Conto de propriedade de Thymonthy Becker

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